Acredito que a cada dia que passa é possível dar um salto para concretizar a paz no mundo. E acredito que esta paz pode ser alcançada se todos abrirem a mente e o espírito para caminhar em direcção ao desconhecido com a predisposição de o acolher, não como uma inferioridade desprovida de nexo e de sentido mas sim, como algo apenas diferente e com o qual podemos APRENDER. Se é diferente esforcemo-nos então por compreender como e porquê. Se a essas duas perguntas se juntar força de vontade para dialogar, e se existir uma iniciativa própria e verdadeira de entregar a alma, então muitos se aperceberão de que afinal qualquer juízo precipitado ou mal fundamentado e baseado em estereótipos e preconceitos é susceptível de gerar perturbações, confusões, situações de grande desconforto, que se repercutam muitas vezes em actos de violência por vezes irreversíveis, desnecessários e até mesmo inúteis.
O que faz deste mundo um lugar tão especial e cativante são as diferenças culturais, as diferenças de crenças, de comportamentos, de atitudes, de cultos que se encontram entre os diversos e numerosos povos e etnias. Penso que não há nada mais enriquecedor e motivante neste lugar misterioso chamado planeta terra que o diálogo, a troca de experiências, de gostos, de opiniões e de tradições. Uma parte da felicidade humana encontra-se quando somos capazes de abrir o nosso coração, despertar em nós espontaneamente o interesse de nos conhecermos uns aos outros, e comunicarmos sem agredir nem desprestigiar ninguém perante uma opinião diferente. A abertura de espírito para partilhar é o primeiro passo. Na minha opinião é importante não deixar que detalhes do dia-a-dia, que nos afectam de uma maneira ou de outra, venham ao de cima. Pois temos de ter em conta que por trás de uma maneira de agir, por trás de uma maneira de pensar e de se comportar existe uma pessoa que teve uma determinada educação, que teve vivências passadas e relações com os seus próximos que muitas das vezes são muito diferentes das nossas. Por vezes, até em coisas pequenas se encontram atritos que podiam ser evitados porque afinal o que é que interessa mesmo nas relações humanas, sejam elas amorosas, emocionais, amigáveis ou familiares? Será que é o que o outro pensa ou será o porquê da maneira de pensar? Será que o mais importante quando os outros nos afectam negativamente, é descarregarmos a nossa ira e a nossa cólera e depois disso não haver qualquer tentativa de falar e de solucionar o problema por orgulho, por pensarmos que nós é que estamos certos e o outro errado? Não digo que soltar as nossas mágoas não seja bom, antes pelo contrário. Mas depois da descarga tem de haver uma maneira de erradicar e de apagar a fúria e a mágoa para que não haja ressentimentos que fiquem pendentes para uma nova discussão. A este propósito, parece que na Holanda, a reciclagem do lixo suscita tanta preocupação, a nível ambiental, que arranjaram uma maneira muito subtil de triturar o lixo doméstico, servir-se dele como adubo para misturar à terra das “cebolas”
[1]de tulipas, que são vendidas aos milhares nos mercados de flores, aos turistas principalmente… Acho a ideia muito interessante.
Não guardem rancor dentro de vocês. Rancor atrás de rancor é capaz de gerar uma situação bem mais complicada…
Ouvir e tentar perceber não quer dizer que devemos ficar calados sempre que ouvimos algum comentário com o qual não concordamos. A alienação e o niilismo devem ser combatidos. Não são desejáveis e, pelo menos daquilo que sei da vida, não fazem evoluir a sociedade. Isto é, se a liberdade de pensamento, de consciência e de religião, que estão patentes na Convenção Europeia dos Direitos Humanos (…), existe é para que todos possamos usufruir dela, com todo o devido respeito. Refiro esta convenção porque, a integração europeia diz respeito a todas as pessoas que vivem na União europeia. Deste modo interessa a todas as minorias étnicas, que são as que mais sofrem de discriminações, saber quais os seus direitos, e lutar por eles. Vejam por exemplo o caso da etnia cigana na Europa de Leste e até mesmo em Portugal. A nós cabe-nos não tirar conclusões precipitadas e generalistas acerca delas. Pois quantas vezes se ouve dizer, “os ciganos são isto, os ciganos são aquilo”… Eu acredito que há ciganos maus e há ciganos bons tal como há portugueses maus e outros bons.
Das liberdades que atrás referi decorre a de expressão que não é menos pertinente que qualquer outro direito e que nos permite exprimir o nosso desacordo, as nossas angústias, as nossas inquietações. Para além disso há certos casos que não podemos permitir nem tolerar. Com isto quero dizer que existem valores que, na minha opinião, são fundamentais para o relacionamento harmonioso entre humanos e que cabe a cada um de nós contribuir para o seu respeito. Pois não se podem aceitar injustiças, discriminações, seja lá de que tipo for, violência gratuita e negligência. Ninguém é superior a ninguém e todos os homens, todas as mulheres, todas as crianças, todos os animais do mundo têm direito a um tratamento digno.
Não faças aquilo que não gostasses que te fizessem a ti!
Entristece-me ter de constatar que a Liberdade existe apenas para alguns e que ainda por cima, entre essas pessoas tão sortudas há quem a desrespeite e abuse dela. Revoltam-me por exemplo os actos de vandalismo que um pouco por toda a parte se vêm. A natureza é uma das mais afectadas por esse insulto à liberdade, e não precisamos de falar em casos tão graves e profundos como os derrames de petróleo na Nigéria por exemplo (por falar nisso, foi publicado um artigo muito interessante na revista “National Geographic” no mês de Fevereiro, leiam, dá-nos logo uma perspectiva mais concreta desta triste realidade) causados em grande parte pela negligência e a sede de poder financeiro por parte das petrolíferas e dos governos, cujo único objectivo é lucrar à custa de povoações que só pedem pão para comer e água potável para beber.
Também não precisamos de focar a nossa atenção nas matanças das mais diversas espécies de animais para o consumo de peles.
Nem precisamos de falar nas emissões excessivas de dióxido de carbono ejectadas para o ar todos os santos dias do ano…
Basicamente o que eu quero dizer com isto é que a falta de respeito pela natureza não acontece só longe das nossas casas, lá noutros países, até porque nós todos devemos ser responsáveis pelo estado do nosso planeta e temos o dever de nos informar e sensibilizarmo-nos perante os problemas ambientais e já agora, sociais e económicos, e contribuir para a evolução positiva e protecção da humanidade, da fauna e da flora. Por isso, não é necessário ir buscar casos com gravidades profundas e irreversíveis para observar actos de desrespeito, pois temos de reconhecer que esses actos são muitas vezes a consequência de descuidos irresponsáveis por parte de indivíduos que através de gestos “banais” conseguem no espaço de uns segundos sujar, estragar, pontapear o que há de mais belo e puro nesta vida: a natureza. Estou a pensar por exemplo na serra de são João d’Arga e nos espaços agradáveis que lá construíram para as pessoas poderem fazer os seus piqueniques familiares no verão ao som límpido da natureza. Não é que aparece sempre pelo menos um dos donos da negligência e da inconsciência a deitar uma asquerosa garrafa de plástico no rio que por ali passa, e não é que há quem abandona no chão guardanapos de papel, rolhas de plástico, fraldas de bebés usadas, sacos de plástico, peles e ossos de frango. Ok, ok! Alguns devem pensar que estou a exagerar… “Porra Dette, peles de frango!!!! Isto é bio-degradável, vá lá, não exageres!”.
Pois é, é verdade, eu concordo, até aí tudo bem, mas muito pessoalmente, e para quem me conhece bem, sou daquelas pessoas que quando se encontra num sítio tão esplêndido como esse, longe da confusão e do stress da cidade, gosta de se estender na relva, deixar o sol acariciar a pele, e aproveitar a paz e o silêncio que nos propicia tal momento. Então deixem-me que vos diga, por experiência própria, que a sensação de se sentar (ainda por cima de biquíni) mesmo em cima dum pedaço de pele de frango assado bem gordurosa é tudo menos agradável! Será que nunca ninguém ensinou a certas pessoas que os contentores do lixo são feitos para serem usados, e que não são objectos de decoração?
- Uó! Mas nun há caixotes do liiiixu!!!!
- Então mete isso dentro duma saca de plástico e leva para casa!!! Duh!
Respeitemos a liberdade, respeitemos o trabalho moroso dos nossos antecessores que morreram em guerras e revoluções para que o futuro deles, que é o nosso presente fosse melhor. Trabalhemos e lutemos para que o nosso futuro, o dos nossos filhos e das próximas gerações evolua no bom sentido, na prosperidade, na harmonia, na paz e compreensão e tolerância!
E não se esqueçam temos o dever e a obrigação de protegermos as crianças, os animais e o ambiente, porque são eles os mais vulneráveis e os que são os menos ouvidos…uns porque não podem falar ou porque ainda não falam e não têm a capacidade física para se protegerem a eles próprios, outros por serem muitas vezes desprezados…
Apesar de tudo não posso deixar de exprimir a minha felicidade e gratidão por saber que há pessoas fabulosas neste mundo que aprenderam (e aprendem) a abrir o espírito e a mente e é porque essas pessoas existem que não hei-de baixar os braços quanto à divulgação das minhas crenças, e que acredito que um mundo melhor é possível… Obrigado a essas pessoas! Obrigado mesmo! Fazem-me sentir confiante!
[1] Peço desculpa pela designação de cebola.