Saturday, April 14, 2007

Porquê violência nas escolas?

Depois de ter ouvido com alguma regularidade episódios de violência nas escolas e de ver a situação em que o sistema educativo português se encontra, achei que devia comentar as lamentáveis circunstâncias.

Não consigo deixar de pensar com cada vez mais firmeza que uma grande maioria do nosso comportamento em sociedade se deve à educação que recebemos em casa. Aliás, está cientificamente comprovado que a probabilidade de uma criança sofrer de perturbações comportamentais é maior quando essa se encontra inserida num meio familiar onde existem fenómenos regulares de violência doméstica, por exemplo…

Na minha opinião, muito do que se passa numa sala de aulas é o reflexo daquilo que se aprende em casa. Gostava de dizer a certas pessoas, que eu chamo de “cabeças duras”, que deixem de afirmar que maus comportamentos por parte dos alunos são apenas e somente devido a uma má preparação dos professores para leccionarem. No meu entender o problema tem de ser visto como algo cuja culpa não vem de uma só parte…

Sei que infelizmente nem sempre existem as melhores condições para dar e receber a tal “boa educação” que nos ensina a sermos pessoas que se comportam de uma maneira civilizada. Estou a referir-me por exemplo a famílias mais pobres ou carenciadas, nas quais nem sempre é fácil estar presente, tanto a nível físico como psicológico. Por isso, penso que medidas de inserção social serão bem-vindas, desde que funcionem no sentido de ajudar a construir e não de ajudar apenas

Parece existir um descontrolo, uma falta de organização, pouco rigor entre as medidas tomadas por parte do governo e do ministério da educação em particular, e a acção das escolas como um todo (professores, encarregados de educação, directores, funcionários alunos).
Ontem li um artigo que saíu no Público on-line. Este referia-se a um novo estatuto do aluno, em que o professor poderia ter mais autoridade para instaurar disciplina nas aulas... No meu entender esta medida seria de certa forma uma boa medida visto que quem está em contacto directo com os alunos nas aulas são os professores... Isto tudo com cuidado e sem exageros.

Não há lobos maus; para que as coisas funcionem de maneira produtiva, é necessário responsabilizarmos todas as partes envolvidas na educação das crianças e jovens. O que quer dizer que esses últimos também devem ser responsabilizados.

Monday, March 12, 2007

Dia 6 de Março de 2007

Cá estou outra vez! Hoje queria partilhar com vocês (mais com aquelas pessoas que me são próximas ou que tenho conhecido ultimamente e que me despertam muita alegria e confiança) um sentimento de satisfação.
É verdade, estou satisfeita. “De quê?” perguntam vocês,

Hoje, neste preciso momento, acabo de me aperceber de maneira concreta que a minha adolescência acabou. Alguns de vocês devem estar a achar piada (eu também me ri): “Hellooo Dette, claro que a tua adolescência acabou, já tens 24 anos!”.
Bem visto… de facto, se nos apoiarmos nas teorias de Piaget, a minha adolescência terminou, mais coisa menos coisa, há 6 anos.

“o que te aconteceu para ficares iluminada?”

Cá vou eu…

Durante estas duas semanas “tenho consagrado a uma parte do meu tempo precioso, a tarefa de recolher e encadernar todas as fotografias que tirei há 5 anos atrás nos Países Baixos. Só para vocês fazerem uma pequena ideia, eu adoro tirar fotografias, a todo o tipo de coisas; vivi nesse país aproximadamente um ano. Nesse espaço de tempo conheci mais cidades, aldeias e ilhas que muita gente que aí vivia há mais de 20 anos (cuidado, não estou a criticar...) e sempre que partia à aventura levava a minha querida máquina fotográfica.
Para além das fotografias também me dediquei – entre tesouradas, colagens, folhas e capas de plástico – à arrumação de panfletos, folhetos, guias, mapas, bilhetes de museus e de eventos culturais…
Nesta bagunça toda deparei-me com um caderno no qual tinha escrito umas coisas antes de fazer essa viagem e depois.
Li.

Faço questão de partilhar com vocês um extracto daquilo que escrevi um pouco antes e um pouco depois:

Antes:


Quero sentar-me na lua, agarrar uma estrela na mão, ir ao encontro do sol e nele colá-la.
Quero falar com o sol e contar-lhe os meus sonhos.
(…) Quero limpar-lhe as lágrimas do rosto e secá-las para sempre.
Quero ver o mundo de cima (…) e da terra apagar a maldade e a miséria.
Quero mergulhar em enormes tapetes de nuvens e ali adormecer a ouvir Pantera.
Quero ir até as profundezas do mar,
abrir lá uma porta escondida que dê sobre grandes cascatas de Coca-Cola e lá tomar banho.
(…)
Será que faz sentido o que eu quero?
Não sei!



Depois (lembro-me ter feito esta remodelação por achar estúpido ter escrito aquilo):

Quero sentar-me na lua, agarrar uma estrela na mão, ir ao encontro do sol e nele colá-la.
Quero ver o mundo de cima a comer chupas de caramelo para de ele me poder rir.
Quero falar com o sol, contar os sonhos que não te pude contar,
Dizer-lhe que nem tudo na terra é mau.
Quero dizer-lhe que nem tudo na terra é motivo para chorar.
(…)


Penso que a introspecção a longo prazo é muito importante, não só para conseguirmos entender o nosso percurso psicológico mas também para estarmos em paz com nós próprios.
Lembrem-se que só podemos estar em paz com os outros e entendê-los se realmente nos entendemos a nós. E lembrem-se também que vocês não são os únicos a recearem e a terem medos… vivemos todos no mesmo mundo!

Quanto aos extractos de texto… deixo-vos analisá-los e tirarem as vossas próprias conclusões…

Tenham um dia espectacular

See you soon!

Thursday, March 8, 2007

Acredito que a cada dia que passa é possível dar um salto para concretizar a paz no mundo. E acredito que esta paz pode ser alcançada se todos abrirem a mente e o espírito para caminhar em direcção ao desconhecido com a predisposição de o acolher, não como uma inferioridade desprovida de nexo e de sentido mas sim, como algo apenas diferente e com o qual podemos APRENDER. Se é diferente esforcemo-nos então por compreender como e porquê. Se a essas duas perguntas se juntar força de vontade para dialogar, e se existir uma iniciativa própria e verdadeira de entregar a alma, então muitos se aperceberão de que afinal qualquer juízo precipitado ou mal fundamentado e baseado em estereótipos e preconceitos é susceptível de gerar perturbações, confusões, situações de grande desconforto, que se repercutam muitas vezes em actos de violência por vezes irreversíveis, desnecessários e até mesmo inúteis.
O que faz deste mundo um lugar tão especial e cativante são as diferenças culturais, as diferenças de crenças, de comportamentos, de atitudes, de cultos que se encontram entre os diversos e numerosos povos e etnias. Penso que não há nada mais enriquecedor e motivante neste lugar misterioso chamado planeta terra que o diálogo, a troca de experiências, de gostos, de opiniões e de tradições. Uma parte da felicidade humana encontra-se quando somos capazes de abrir o nosso coração, despertar em nós espontaneamente o interesse de nos conhecermos uns aos outros, e comunicarmos sem agredir nem desprestigiar ninguém perante uma opinião diferente. A abertura de espírito para partilhar é o primeiro passo. Na minha opinião é importante não deixar que detalhes do dia-a-dia, que nos afectam de uma maneira ou de outra, venham ao de cima. Pois temos de ter em conta que por trás de uma maneira de agir, por trás de uma maneira de pensar e de se comportar existe uma pessoa que teve uma determinada educação, que teve vivências passadas e relações com os seus próximos que muitas das vezes são muito diferentes das nossas. Por vezes, até em coisas pequenas se encontram atritos que podiam ser evitados porque afinal o que é que interessa mesmo nas relações humanas, sejam elas amorosas, emocionais, amigáveis ou familiares? Será que é o que o outro pensa ou será o porquê da maneira de pensar? Será que o mais importante quando os outros nos afectam negativamente, é descarregarmos a nossa ira e a nossa cólera e depois disso não haver qualquer tentativa de falar e de solucionar o problema por orgulho, por pensarmos que nós é que estamos certos e o outro errado? Não digo que soltar as nossas mágoas não seja bom, antes pelo contrário. Mas depois da descarga tem de haver uma maneira de erradicar e de apagar a fúria e a mágoa para que não haja ressentimentos que fiquem pendentes para uma nova discussão. A este propósito, parece que na Holanda, a reciclagem do lixo suscita tanta preocupação, a nível ambiental, que arranjaram uma maneira muito subtil de triturar o lixo doméstico, servir-se dele como adubo para misturar à terra das “cebolas”[1]de tulipas, que são vendidas aos milhares nos mercados de flores, aos turistas principalmente… Acho a ideia muito interessante.
Não guardem rancor dentro de vocês. Rancor atrás de rancor é capaz de gerar uma situação bem mais complicada…

Ouvir e tentar perceber não quer dizer que devemos ficar calados sempre que ouvimos algum comentário com o qual não concordamos. A alienação e o niilismo devem ser combatidos. Não são desejáveis e, pelo menos daquilo que sei da vida, não fazem evoluir a sociedade. Isto é, se a liberdade de pensamento, de consciência e de religião, que estão patentes na Convenção Europeia dos Direitos Humanos (…), existe é para que todos possamos usufruir dela, com todo o devido respeito. Refiro esta convenção porque, a integração europeia diz respeito a todas as pessoas que vivem na União europeia. Deste modo interessa a todas as minorias étnicas, que são as que mais sofrem de discriminações, saber quais os seus direitos, e lutar por eles. Vejam por exemplo o caso da etnia cigana na Europa de Leste e até mesmo em Portugal. A nós cabe-nos não tirar conclusões precipitadas e generalistas acerca delas. Pois quantas vezes se ouve dizer, “os ciganos são isto, os ciganos são aquilo”… Eu acredito que há ciganos maus e há ciganos bons tal como há portugueses maus e outros bons.
Das liberdades que atrás referi decorre a de expressão que não é menos pertinente que qualquer outro direito e que nos permite exprimir o nosso desacordo, as nossas angústias, as nossas inquietações. Para além disso há certos casos que não podemos permitir nem tolerar. Com isto quero dizer que existem valores que, na minha opinião, são fundamentais para o relacionamento harmonioso entre humanos e que cabe a cada um de nós contribuir para o seu respeito. Pois não se podem aceitar injustiças, discriminações, seja lá de que tipo for, violência gratuita e negligência. Ninguém é superior a ninguém e todos os homens, todas as mulheres, todas as crianças, todos os animais do mundo têm direito a um tratamento digno.
Não faças aquilo que não gostasses que te fizessem a ti!

Entristece-me ter de constatar que a Liberdade existe apenas para alguns e que ainda por cima, entre essas pessoas tão sortudas há quem a desrespeite e abuse dela. Revoltam-me por exemplo os actos de vandalismo que um pouco por toda a parte se vêm. A natureza é uma das mais afectadas por esse insulto à liberdade, e não precisamos de falar em casos tão graves e profundos como os derrames de petróleo na Nigéria por exemplo (por falar nisso, foi publicado um artigo muito interessante na revista “National Geographic” no mês de Fevereiro, leiam, dá-nos logo uma perspectiva mais concreta desta triste realidade) causados em grande parte pela negligência e a sede de poder financeiro por parte das petrolíferas e dos governos, cujo único objectivo é lucrar à custa de povoações que só pedem pão para comer e água potável para beber.
Também não precisamos de focar a nossa atenção nas matanças das mais diversas espécies de animais para o consumo de peles.
Nem precisamos de falar nas emissões excessivas de dióxido de carbono ejectadas para o ar todos os santos dias do ano…


Basicamente o que eu quero dizer com isto é que a falta de respeito pela natureza não acontece só longe das nossas casas, lá noutros países, até porque nós todos devemos ser responsáveis pelo estado do nosso planeta e temos o dever de nos informar e sensibilizarmo-nos perante os problemas ambientais e já agora, sociais e económicos, e contribuir para a evolução positiva e protecção da humanidade, da fauna e da flora. Por isso, não é necessário ir buscar casos com gravidades profundas e irreversíveis para observar actos de desrespeito, pois temos de reconhecer que esses actos são muitas vezes a consequência de descuidos irresponsáveis por parte de indivíduos que através de gestos “banais” conseguem no espaço de uns segundos sujar, estragar, pontapear o que há de mais belo e puro nesta vida: a natureza. Estou a pensar por exemplo na serra de são João d’Arga e nos espaços agradáveis que lá construíram para as pessoas poderem fazer os seus piqueniques familiares no verão ao som límpido da natureza. Não é que aparece sempre pelo menos um dos donos da negligência e da inconsciência a deitar uma asquerosa garrafa de plástico no rio que por ali passa, e não é que há quem abandona no chão guardanapos de papel, rolhas de plástico, fraldas de bebés usadas, sacos de plástico, peles e ossos de frango. Ok, ok! Alguns devem pensar que estou a exagerar… “Porra Dette, peles de frango!!!! Isto é bio-degradável, vá lá, não exageres!”.
Pois é, é verdade, eu concordo, até aí tudo bem, mas muito pessoalmente, e para quem me conhece bem, sou daquelas pessoas que quando se encontra num sítio tão esplêndido como esse, longe da confusão e do stress da cidade, gosta de se estender na relva, deixar o sol acariciar a pele, e aproveitar a paz e o silêncio que nos propicia tal momento. Então deixem-me que vos diga, por experiência própria, que a sensação de se sentar (ainda por cima de biquíni) mesmo em cima dum pedaço de pele de frango assado bem gordurosa é tudo menos agradável! Será que nunca ninguém ensinou a certas pessoas que os contentores do lixo são feitos para serem usados, e que não são objectos de decoração?
- Uó! Mas nun há caixotes do liiiixu!!!!
- Então mete isso dentro duma saca de plástico e leva para casa!!! Duh!

Respeitemos a liberdade, respeitemos o trabalho moroso dos nossos antecessores que morreram em guerras e revoluções para que o futuro deles, que é o nosso presente fosse melhor. Trabalhemos e lutemos para que o nosso futuro, o dos nossos filhos e das próximas gerações evolua no bom sentido, na prosperidade, na harmonia, na paz e compreensão e tolerância!
E não se esqueçam temos o dever e a obrigação de protegermos as crianças, os animais e o ambiente, porque são eles os mais vulneráveis e os que são os menos ouvidos…uns porque não podem falar ou porque ainda não falam e não têm a capacidade física para se protegerem a eles próprios, outros por serem muitas vezes desprezados…

Apesar de tudo não posso deixar de exprimir a minha felicidade e gratidão por saber que há pessoas fabulosas neste mundo que aprenderam (e aprendem) a abrir o espírito e a mente e é porque essas pessoas existem que não hei-de baixar os braços quanto à divulgação das minhas crenças, e que acredito que um mundo melhor é possível… Obrigado a essas pessoas! Obrigado mesmo! Fazem-me sentir confiante!
[1] Peço desculpa pela designação de cebola.